quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nazca: Linhas como tatuagens

Este é um último post programado, amanhã, 19, estou voltando ao Brasil... Serão 1 taxi, 3 aviões, 1 conexão e saio da Patagonia e chego em São Paulo....


Um colibri, uma aranha ou uma flor. Do solo são imperceptíveis, mas do céu, um mistério para o homem moderno. Desde que foram descobertas pelos cientistas em 1927, as Linhas de Nazca são consideradas um dos vestígios mais incríveis deixados por uma civilização formada antes da Era de Cristo.

Gigantescas figuras geométricas, humanas, de animais e plantas estilizadas (algumas com mais de 300 metros) foram cravadas sobre as planícies rochosas do deserto da costa peruana, e só podem ser observadas a centenas de metros de altitude, ou seja, em sobrevoos. É aí que mora o enigma. A cultura Nazca, sociedade que habitou a região entre 300 a.C e 800 d.C, conhecia a tecnologia do voo? Além disso, como foram desenhadas? E o mais intrigante: com qual finalidade foram feitas e como até hoje não desapareceram, mesmo com a pouca chuva anual?

Os mais de 200 mil turistas que chegam por ano à cidade de Nazca, a 460 km ao sul de Lima, são de cara recebidos com as diversas hipóteses sobre o tema. A mais difundida é a da alemã Maria Reiche, falecida em 1998 aos 95 anos. A "Dama do Deserto", apelido em homenagem a toda sua vida dedicada ao estudo dos geoglífos, dizia que se tratava de um imenso calendário astronômico e agrícola, onde a população Nazca podia identificar as estações do ano e a melhor época para seus cultivos.


Visitantes mais místicos, e um tanto ufólogos, são atraídos pelas teorias mais arriscadas, como a do suíço Erich Von Daniken. Em 1968, ele escreveu "Eram os Deuses Astronautas" propondo que as linhas da zona de Pampa Colorada são pistas de aterrissagem para naves de extraterrestres.

Há também quem afirme que os Nazca poderiam, sim, produzir balões. Décadas atrás, um grupo da International Explorers Society conseguiu construir o Condor I, baseado no desenho de um suposto balão impresso em um vaso da cultura Nazca, e usando as mesmas tecnologias conhecidas na época. "Outras opiniões mais atuais defendem que os desenhos sinalizavam, na verdade, os pontos de água subterrâneos do deserto", explica um dos guias locais.

Diversos estudos apontam que as curiosas figuras, eleitas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1994, foram feitas com uma técnica bem simples: retirar as pedras da superfície do solo avermelhado e empilhar-lhas ao longo de ambos os lados do traçado, deixando à mostra a terra mais fina e rosada que ficava embaixo.

"Foram preservadas durante tantos séculos graças à ação da umidade durante a noite, que consolida as rochas ao terreno natural, e ao vento que sopra rasante, não deixando acumular a areia", escreveu o arqueólogo italiano Giuseppe Orefici que lidera há mais de 20 anos as escavações do sítio arqueológico Cahuachi, a antiga capital da cultura Nazca. Muitas das linhas pode-se ver faixas de carros, isto é, vandalos que no passado passaram de carro em cima dos desenhos. Hoje, no Peru, isto é crime e o infrator pode ficar preso vários anos.




A 30 km do centro da cidade, Cahuachi é formada por um conjunto de pirâmides e um cemitério. O lugar foi destino sagrado de milhares de peregrinos no Antigo Peru. As cerimônias incluíam diferentes tipos de oferendas, como cerâmicas e tecidos, além de animais e até humanos.

As peças encontradas nas investigações do grupo de Oferici podem ser conferidas no Museu Didáctico Antonini, imperdível para quem resolve esticar a estadia em Nazca e explorar os outros atrativos da cidade. A maioria dos turistas acaba desperdiçando a oportunidade de conhecer melhor sobre as culturas pré-incas que habitaram a região, optando pelas excursões de um dia que contemplam apenas o sobrevoo pelas linhas.

Uma das curiosidades do Museu Antonini é constatar que o mesmo estilo de desenho dos geoglífos está presente na impressionante produção de cerâmica e tecido deixada pela remota civilização. Outra herança que vale uma visita são os aquedutos, canais destinados a conduzir a água de um lugar para outro, que possibilitaram aos nazcas o desenvolvimento da agricultura em um lugar tão árido.

A 15 minutos da cidade, o Aqueduto de Cantalloc funciona até hoje e a visita ao sítio é oferecida pelas agências de turismo locais. Um casal de brasileiros, que trocou o sobrevoo para ver a milenar técnica de transporte e armazenamento de água, gostou tanto do lugar que decidiu percorrer os canais subterrâneos, tal qual fazia o antigo homem nazca para limpar seus aquedutos. "O cheiro é bem forte e ficamos com medo de desmaiar", conta a jovem Denise Ton Tiussi ao voltar à superfície.





Composto por 13 tumbas dos antigos habitantes de Nazca, o cemitério de Chauchilla é assustador, mas muito interessante. As múmias estão expostas em seu local original, acompanhadas sempre das cerâmicas e tecidos da época. Décadas atrás, o local, a apenas 30 km do centro, sofreu vários ataques de saqueadores de tesouros pré-colombinos. Felizmente, o lugar hoje está protegido, convertendo-se em mais um dos enigmáticos sítios arqueológicos do Peru.




Sobrevoar as Linhas de Nazca exige uma pequena dose de adrenalina e cuidados. Para os passageiros verem as tais figuras impressas na superfície, é necessário que o piloto realize manobras mais inclinadas para ambos os lados. Esse movimento pode marear alguns tripulantes e acabar estragando o passeio. Para prevenir o enjoo, é recomendável não ingerir alimentos nem bebidas alcoólicas horas antes da decolagem, e optar pelas aeronaves que partem no início da manhã, período que o vento sopra mais leve no deserto. Para quem não quiser encarar o avião, há um tour que leva o turista até um mirante instalado nos arredores da cidade, na Rodovia Panamericana. Do alto da torre de 12 metros de altura dá para observar duas das famosas linhas ("mão" e "árvore"), além de figuras geométricas e muitos traçados retos milenares.


SERVIÇO

Sobrevoo Linhas de Nazca
Alas Peruanas
Calle Lima 168,
Tel: (51) 56 522497


Fonte: UOL Viagens

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