
Mal da Altitude, Mal Agudo da Montanha (MAM), Soroche - em espanhol - ou Acute Mountain Sickness (AMS) - em inglês - são os diversos nomes dados aos sintomas que sentimos quando subimos a uma altitude maior que 2500 msnm.
Este post tem o objetivo de conscientizar alguns cuidados que devemos ter em travessias, escaladas e turismo de alta montanha, e não gerar pânico; como toda atividade em montanha, tem que ter cuidados, limites e responsabilidades e sempre estar com pessoas experientes nos locais que nos aventuramos. É extenso, mas bem didático para entender melhor o que acontece com nosso corpo.
O que é mal de altitude?
O mal de altitude é o nome dado aos sintomas e reações fisiológicas do corpo humano (em resposta), que se produz como conseqüência da exposição a baixa pressão de oxigênio que existe em grandes altitudes, como Nepal, Cordilheira dos Andes entre outras, pois à medida que subimos acontece uma diminuição progressiva da pressão atmosférica e também da pressão parcial de oxigênio no ar que respiramos.
O oxigênio é essencial para a vida ativa do corpo e sua diminuição brusca produz importantes alterações que podem levar até a morte. Por esse motivo, que os montanhistas, durante as ascensões a montanhas altas e cumes, tem que se submeter a um período de aclimatação com o único objetivo de que o nosso organismo se adapte as baixas pressões de oxigênio.
Onde sentimos o mal de altitude?
Os primeiros sintomas do mal da montanha podem começar a ser sentidos a partir dos 2.500-3.000 metros de altitude acima do nível do mar. Muitas estações de esqui se encontram nestas alturas. Em pessoas mais sensíveis, podem até aparecer em alturas menores. A partir dos 5.000 metros de altitude acima do nível do mar, dificilmente encontramos pessoas habitando permanentemente estes locais, poderiam morrer devido aos sintomas apresentados nessa altura. Por tanto, o risco de sentir o Mal de Altitude em áreas como as montanhas do Nepal e Cordilheiras dos Andes são possíveis senti-las a partir de uma altura entre os 3.000 e 4.000 metros de altitude, é as possibilidades são reais, por isso uma ótima aclimatação é necessária. A cada ano temos pelo menos sete mortes relacionadas com a altitude, dentro os 50.000 viajantes que vão ao Nepal. O índice de mortalidade é aproximadamente de um 4% para ascensões a picos com alturas superiores a os 7.000 metros.
Fatores que podem ajudar
A incidência do mal de altitude varia muito de pessoa para pessoa. Tem pessoas que suportam melhor que as outras as ascensões rápidas. Temos o fator de velocidade nas subidas (Quanto mais rápida a ascensão, maior é a probabilidades de sentir o mal da montanha), outro fator que pode influenciar é nessas alturas, é a atividade intensa e continuada y também a idade (Os mais jovens e os de 3ª idade apresentam maior predisposição). O mal de altitude não depende da má forma física e tranquilamente pode afetar atletas mais experientes.
Aclimatação
Ao diminuir a pressão de oxigênio no ar inspirado, portanto no sangue, o nosso organismo estimula uma série de mecanismos que possam levar mais oxigênio as nossas células. Assim aumenta a respiração e a nossa pulsação, também afeta as nossas batidas do coração e número de glóbulos vermelhos (As células do sangue responsáveis pela capacidade de transportar o oxigênio). A redução de oxigênio tem uma serie de conseqüências: aumento de pressão na circulação pulmonar (hipertensão pulmonar), variação dos valores do PH sanguíneo (acidez), alterações do equilíbrio entre líquidos/eletrólitos (sal), assim como um possível edema.
O mal de altitude se manifesta em ascensões rápidas, na variação de uma altura determinada a uma outra maior e permanecer nessa altitude sem uma prévia aclimatação de maneira adequada.
Como podemos evitar o mal de altitude?
Fazendo uma ascensão gradual. A primeira coisa e mais importante e subir lentamente, realizando um período adequado de aclimatação de 2 a 3 dias a uma altura determinada (Começar aos 2.000 m) antes de passar a noite em uma altura maior. Ou seja, ascender ou escalar durante o dia e depois voltar, dormindo duas noites consecutivas num acampamento de altura inferior.
È aconselhável ter ritmos de ascensão: até os 5.000 metros ascender numa média de 340- 400 metros no máximo, a partir dos 5.000 m e até os 6.000 m, ascender 250 metros por dia; e acima dos 6.000 m, ascendermos no máximo de 150-200 m por dia.
No caso dos sintomas aparecerem, é fundamental descer uma quantidade inferior a que estava aclimatado e descansar durante 24 ou 48 horas antes de reiniciar a ascensão. Se os sintomas são graves, iniciar a descida imediatamente.
Beber muito líquido (pelo menos 3 ou 4 litros diários).
Evitar beber bebidas alcoólicas.
Dieta energética e evitar exposição ao frio.
Medicação: obrigatoriamente consultar seu médico.
Primeiros sinais do mal de altitude
Os primeiros sinais se desenvolvem geralmente nas primeiras 36 horas. Afetam mais de 50% dos viajantes, no caso montanhistas e trekkers que vão acima dos 3.500 metros e quase 100% as pessoas que sobem rapidamente aos 5.000 metros sem aclimatação.
- Uma dor de cabeça leve
- Náuseas e mal estar geral
- Ligeiras tonturas
- Dificuldades para dormir
Se aparecerem estes sintomas, numa altura abaixo dos 3.000 metros, se recomenda parar e descansar alguns dias antes de continuar subindo. Se aparecerem aos 3.500 metros, tem que descer de 300 a 500 metros, e ficar ai durante 2 dias antes de continuar subindo.
Sintomas graves do mal de altitude
- Uma dor de cabeça intensa e grave, que não desaparece com analgésicos, vômitos contínuos;
- Náuseas marcadas
- Tonturas, alterações visuais.
- Pressão no peito, respiração e pulso rápidos, sensação de dificuldade respiratória.
- Inchaço ou edema, geralmente em torno dos olhos e em alguns casos nas mãos.
- Diminuição da quantidade de urina, confusão e desorientação.
- Trocas psicológicas como (indiferença, perda do sentido de perigo, etc.) e convulsões.
Quando se apresentam estes sintomas devemos buscar ajuda médica imediatamente e iniciar rapidamente o descenso até a menor altitude possível.
Formas graves do mal de altitude
Existem duas formas graves do mal de altitude. Podem ser precedidas de sintomas leves (dor de cabeça, insônia, falta de apetite, tonturas leves) ou podem aparecer bruscamente num alpinista ou andinista previamente saudável, a causa de uma ascensão de grande desnível ou realizada de maneira rápida. (As duas tem um alto índice de mortalidade e podem acontecer quando já se passou um dia ou um dia e meio, numa altura ofegante, normalmente, acima dos 3.500 metros). São os seguintes:
Edema pulmonar de grande altitude (HAPE – líquido nos pulmões)
Os sintomas de HAPE são graves, e incluem dificuldade respiratória importante, tosse seca, expectoração sanguinolenta, pressão ou dor no peito, palpitações e fadiga. Dá para ouvir ruídos de borbulhas durante a respiração (edema pulmonar). Os lábios, orelhas e unhas podem parecer azuladas (cianóticas), devido a falta de oxigênio.
Edema cerebral de grande altitude (HACE – líquido no cérebro)
Esta é a forma de se manifestar mais gravemente e rápida do mal de altitude. Os sintomas de HACE são fundamentalmente: náuseas, vômitos, dores de cabeça, alterações visuais, irritabilidade, distração, confusão, possível perda de consciência, convulsões e coma.
Tratamento
Se os sintomas são leves, o repouso pode ser no mesmo terreno durante 24 - 48 horas, junto com uma boa hidratação e com uma dieta energética. Não pode em hipótese nenhuma continuar ascendendo para não evoluir para os sintomas mais graves.
Se os sintomas são graves ou pioraram, devemos iniciar imediatamente a descida da pessoa até a menor altura possível, e sempre acompanhada. As vezes uma descida de 400 metros já faz se sentir melhor.
Outra medida é administrar oxigeno, uma quantidade de 3 a 5 litros por minuto a uma concentração não inferior a 40%. Para o tratamento de dor de cabeça pode ser usado um analgésico recomendado pelo seu médico.
Importante esclarecer que qualquer remédio não substitui a descida para um nível mais baixo.
Na região dos Andes há o costume de mascar folhas de coca ou tomar seu chá.
Quem não deve se expor nunca a uma grande altura?
- As pessoas com problemas cardíacos e pulmonares crônicas (Ex.: bronquite crônica, enfisema e algumas pessoas com asma grave).
- As pessoas com anemia (Baixo conteúdo de hemoglobina no sangue).
- As pessoas com problemas de coagulação sanguínea e com histórico de trombose (coágulos).
- As pessoas que já tiveram HAPE o HACE.
- Mulheres grávidas e crianças.
- Pessoas com pressão sanguínea elevada e com tendência a apineia durante o sono.
Outros problemas que temos que ter cuidado em alta montanha são as queimaduras solares, cegueira passageira causada pela neve (oftalmia), o frio e congelamento.