O conceito de Superquadra, como extensão residencial aberta ao público, em contraposição ao de “condomínio” como área fechada e privativa, foi inovador e revelou-se válido e civilizado. (Lucio Costa, 03/01/85.)
Morar numa superquadra é ter qualidade de vida. Largos campos para aproveitar uma caminhada ou corrida, baixa marginalidade, comércios locais com todo o básico necessário (farmácia, mercado, padaria, loja de roupas, acessórios e quinquilharias, bar, restaurante, lanchonete)
Características:
- Assimetria entre as asas Norte e Sul
- 60 quadras no total, numeradas de 02 a 16 e divididas em 100 - 102 a 116, 300 - 302 a 316 (toda na face Oeste - W) e 200 - 202 a 216 e 400 - 402 a 416 (face Leste - L)
- As quadras 400, são quadras econômicas, sem pilotis, elevador e garagem e com apenas 3 andares (para que a vista do Lago Paranoá nao seja perdida)
- Siglas (já que Brasília tudo é uma sigla) - SQS (Superquadra Sul), SQN (Superquadra Norte), CLS (Comércio Local Sul), CLRN (Comércio Local e Residências Norte), EQS (Entrequadras Sul), EQN (Entrequadras Norte)
As asas do Plano Piloto, são áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão (onde há também escolas e igrejas). Asa Sul vê-se prédios mais antigos, enquanto na Asa Norte há contruções de prédios mais novos e recentes, fora as quadras comerciais que tem apartamentos (geralmente kitnets ou apartamentos de 1 dorm.) em cima do comércio.
A utopia de uma Unidade de Vizinhança que conseguisse reatar as relações entre os vizinhos nas grandes cidades e que desse conta de unir as atividades comuns de um cidadão em modelos funcionais e organizados, foi a idéia principal de Lúcio Costa ao relatar como seria as “Superquadras” de Brasília na década de 1950. Mas a única Unidade de Vizinhança integralmente construída na cidade, exatamente como no relatório de Brasília, está situada no complexo de quadras 107, 108, 307 e 308 da Asa Sul.
Ao passar por essas quadras podemos ver algumas características comuns a Unités d’Habitation, traduzindo um dos elementos fundamentais da arquitetura moderna fortemente influenciada pelos arquiteto Le Cobusier – fonte inspiradora de Lucio Costa.
O cobogó é outra característica comum, não só nas quadras da oito sul, mas em todo o Plano Piloto. A utilização do mesmo foi empregada para evitar o superaquecimento do ambiente iluminado e permitir a passagem de brisa e ventilação. Além de resolver outros dois problemas. Como o cobogó proporcionou a abertura em cada uma das fachadas permitindo a existência do efeito-chaminé e de ventilação ele ocasiona a renovação do ar e mantem a temperatura agradável sem a necessidade de condicionamento – o que é mais que necessário em Brasília, onde sofremos com a seca em vários dias do ano (em 2011 foram 107 dias) – ao mesmo tempo, por estar sempre instalado no lado da área de serviço, o cobogó é aplicado para resolver um problema estético da exposição de roupas, varais e desordens comuns.
Nas quadras vemos a forte influência de Le Cobusier através da arborização que se faz presente. Árvores de porte, prevalecendo em cada quadra determinada espécie vegetal, com chão gramado, arbustos e folhagens estão por toda parte. Na intenção de reconectar os habitantes com a natureza, característica perdida nas grandes metrópoles. É como se todos tivessem um grande jardim na porta da sua casa. Levando também esse conforto a qualquer pessoa que passe ali. Um verdadeiro jardim coletivo.
As praças estão espalhadas por essas quadras. Os generosos espaços entre os blocos proporcionam um lugar para convivência e lazer, seja para as crianças ou para os adultos. Ter um pequeno parque, espelho d’água, mesinhas e afins à metros da sua residência proporcionando diversão e prazer imediato, sem precisar sair de carro para outros pontos da cidade. Na “ quadra 08 Sul” também foi aplicado os espaços de convivência tão citados no relatório de Lúcio Costa: “na fluência das quatro quadras localizou-se a igreja do bairro, e aos fundos dela as escolas secundarias”.
A Capela Nossa Senhora de Fátima – conhecida como “igrejinha” na cidade – foi desenhada por Oscar Niemeyer, e lembra o chapéu das irmãs vicentinas. Ela é revestida de azulejos que têm desenhos em forma e figuras estilizadas da pomba do divino e da estrela da Natividade, o painel é assinada por Athos Bucão.
Outro projeto empregado ali na quadra 106/107 sul é o do Cine Brasília. Ele faz parte do complexo de convivência de Lúcio Costa detalhado em seu relatório do PlanoPiloto. A edificação foi idealizada por Niemeyer. Basicamente construído com um volume curvilíneo e revestimento externo em cerâmica vermelha, hoje funciona com três sessões diárias e recepciona o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, única ocasião do ano em que fica lotado. Na decoração interna tem painéis de Athos Bulcão.
Fonte: Debaixo do Bloco, com adaptações















2 comentários:
Adoro teus textos sobre Brasília.
Parabéns pelo post!!!
Sempre acho válido falarmos sobre nosso País, nossas culturas, nossa história, nosso povo!!
Parabéns!!!
Brasília é uma cidade que as pessoas pensam que não existe turismo, pelo contrário tem muita coisa para conhecer!!!
Parabéns
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