Babel é uma jornada de montagem íntegra. Cortes precisos, mudanças de tom criteriosas e close-ups vorazes que desabam e fundam de forma apelante um autêntico império de sentidos levando a audiência afogar-se em desespero.
Poderemos desenhar inúmeras fronteiras num mapa, mas existirá sempre um elo de ligação comum entres os indivíduos; uma linguagem universal: a dor. O desespero agonizante do pai marroquino não necessitou de legendas, bem como o choro inconsolável de Amélia. A dor literalmente nua de Chieko é tão transparente quanto a frustração cruciante de Richard.
Um mestre na narrativa não linear, Iñarritu dirige como se fosse o cotidiano, apresentado todos os dias nos jornais e revistas semanais, pouco importasse se a realidade ultrapassará a linha da ficção. Isso é nítido ao ver Brad Pitt interpretando como se fosse um homem comum, deixando de lado todas suas glórias como um dos mais sofisticados atores de Hollywood.
E percebam, é um filme que o protagonista aparece diversas vezes, da sua origem à sua destruição; um objeto intrinsecamente ligado a todos os personagens: a arma. Ele modifica a vida de cada um, marcando – numa relação causa e efeito - o destino de todos os personagens.
Assim, temos uma obra mestre que fala ao indivíduo do século XXI, sem rodeios nem excessos, como se transforma a sociedade que estamos construindo.
FICHA TÉCNICA
Babel (2006)
Diretor: Alejandro Gonzales Iñarritu
Roteiro: Guillermo Arriaga
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael Garcia Bernal, Jamie McBride, Kôji Yakasho
Trilha Sonora: Gustavo Santolalla
Duração: 142 min

