sábado, 29 de outubro de 2011

As tais superquadras em Brasília




O conceito de Superquadra como extensão residencial aberta ao público, em contraposição ao de “condomínio” como área fechada e privativa, foi inovador e revelou-se válido e civilizado. (Lucio Costa, 03/01/85.)

Com 51 anos de idade, para além do Plano Piloto (o famoso avião), Brasília já é composta por diversos cenários urbanos. As superquadras residenciais são talvez um dos cenários urbanos mais bem-sucedidos e menos conhecidos daqueles que nunca habitaram a cidade. Os blocos de superquadras, sobretudo aqueles construídos nas duas primeiras décadas de existência da capital, acabaram por determinar decisivamente a paisagem urbana que, em harmonia com a vegetação abundante, constitui o habitat dos mais de 500 mil moradores do Plano Piloto.

Morar numa superquadra é ter qualidade de vida. Largos campos para aproveitar uma caminhada ou corrida, baixa marginalidade, comércios locais com todo o básico necessário (farmácia, mercado, padaria, loja de roupas, acessórios e quinquilharias, bar, restaurante, lanchonete)

Características:

  • Assimetria entre as asas Norte e Sul
  • 60 quadras no total, numeradas de 02 a 16 e divididas em 100 - 102 a 116, 300 - 302 a 316 (toda na face Oeste - W) e 200 - 202 a 216 e 400 - 402 a 416 (face Leste - L)
  • As quadras 400, são quadras econômicas, sem pilotis, elevador e garagem e com apenas 3 andares (para que a vista do Lago Paranoá nao seja perdida)
  • Siglas (já que Brasília tudo é uma sigla) - SQS (Superquadra Sul), SQN (Superquadra Norte), CLS (Comércio Local Sul), CLRN (Comércio Local e Residências Norte), EQS (Entrequadras Sul), EQN (Entrequadras Norte)

As asas do Plano Piloto, são áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão (onde há também escolas e igrejas). Asa Sul vê-se prédios mais antigos, enquanto na Asa Norte há contruções de  prédios mais novos e recentes, fora as quadras comerciais que tem apartamentos (geralmente kitnets ou apartamentos de 1 dorm.) em cima do comércio.


A utopia de uma Unidade de Vizinhança que conseguisse reatar as relações entre os vizinhos nas grandes cidades e que desse conta de unir as atividades comuns de um cidadão em modelos funcionais e organizados, foi a idéia principal de Lúcio Costa ao relatar como seria as “Superquadras” de Brasília na década de 1950. Mas a única Unidade de Vizinhança integralmente construída na cidade, exatamente como no relatório de Brasília, está situada no complexo de quadras 107, 108, 307 e 308 da Asa Sul.


Ao passar por essas quadras podemos ver algumas características comuns a Unités d’Habitation, traduzindo  um dos elementos fundamentais da arquitetura moderna fortemente influenciada pelos arquiteto Le Cobusier – fonte inspiradora de Lucio Costa.







cobogó é outra característica comum, não só nas quadras da oito sul, mas em todo o Plano Piloto. A utilização do mesmo foi empregada para evitar o superaquecimento do ambiente iluminado e permitir a passagem de brisa e ventilação. Além de resolver outros dois problemas. Como o cobogó proporcionou a abertura em cada uma das fachadas permitindo a existência do efeito-chaminé e de ventilação ele ocasiona a renovação do ar e mantem a temperatura agradável sem a necessidade de condicionamento – o que é  mais que necessário em Brasília, onde sofremos com a seca em vários dias do ano (em 2011 foram 107 dias) – ao mesmo tempo, por estar sempre instalado no lado da área de serviço, o cobogó é aplicado para resolver um problema estético da exposição de roupas, varais e desordens comuns.


Nas quadras vemos a forte influência de Le Cobusier  através da arborização que se faz presente. Árvores de porte, prevalecendo em cada quadra determinada espécie vegetal, com chão gramado, arbustos e folhagens estão por toda parte. Na intenção de reconectar os habitantes com a natureza, característica perdida nas grandes metrópoles. É como se todos tivessem um grande jardim na porta da sua casa. Levando também esse conforto a qualquer pessoa que passe ali. Um verdadeiro jardim coletivo.

As praças estão espalhadas por essas quadras. Os generosos espaços entre os blocos proporcionam um lugar para convivência e lazer, seja para as crianças ou para os adultos. Ter um pequeno parque, espelho d’água, mesinhas e afins à  metros da sua residência proporcionando diversão e prazer imediato, sem precisar sair de carro para outros pontos da cidade. Na “ quadra 08 Sul” também foi aplicado os espaços de convivência tão citados no relatório de Lúcio Costa“na fluência das quatro quadras localizou-se a igreja do bairro, e aos fundos dela as escolas secundarias”.




Logo atrás da “igrejinha”, está situado a Escola Parque 308 Sul. Também Projetada por Niemeyer. A escola atendia originalmente famílias de funcionários do Banco do Brasil, moradores da quadra. Hoje, os alunos são encaminhados para lá uma vez por semana – vindos de outras diversas Escolas Classes (públicas de Brasília) – para participarem de exercícios culturais e esportivos, como tapeçaria, coral, flauta, violão, desenho, esportes em geral, teatro e outras muitas atividades que são necessárias para o crescimento intelectual de qualquer humano. 
A Capela Nossa Senhora de Fátima – conhecida como “igrejinha” na cidade – foi desenhada por Oscar Niemeyer, e  lembra o chapéu das irmãs vicentinas.  Ela é revestida de azulejos que têm desenhos em forma e figuras estilizadas da pomba do divino e da estrela da Natividade, o painel é assinada por Athos Bucão.



Outro projeto empregado ali na quadra 106/107 sul é o do Cine Brasília. Ele faz parte do complexo de convivência de Lúcio Costa detalhado em seu relatório do PlanoPiloto. A edificação foi idealizada por Niemeyer. Basicamente construído com um volume curvilíneo e revestimento externo em cerâmica vermelha, hoje funciona com três sessões diárias e recepciona o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, única ocasião do ano em que fica lotado. Na decoração interna tem painéis de Athos Bulcão.



Fonte: Debaixo do Bloco, com adaptações

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vai para Cancun? Damos uma ajuda com a escolha do hotel.

Com certeza a pior parte de planejar uma viajem para Cancun, México, é escolher o hotel. Seja em lua de mel, em uma viagem com amigos ou em uma curtição de férias, o que você mais quer em Cancun é relaxar e ter todas as modomias do mundo. E quando eu falo mordomia, é mordomia mesmo, ter tudo a mão, sem essa de passar aperto.


Comecemos com 2 conceitos que você terá que escolher: hotel somente com café da manhã ou all inclusive. Este é seu primeiro obstáculo.

1) Hotel somente com café da manhã
Se você quer fazer muitos passeios é a melhor indicação, pois assim você não gasta comendo no hotel ou bebericando um drink à beira da piscina ou na praia. Como a maioria dos passeios partem dos hotéis as 7h30AM (sim, sete e meia da manhã), vale mesmo você pegar um hotel somente com café da manhã, e depois quando chegar à noite, você vai a algum restaurante na orla jantar (o almoço geralmente já é incluído nos passeios de dia inteiro).
Nesta categoria você encontra diversos hotéis, dos mais básicos como o Hotel Flamingo até os mais luxuosos como Gran Meliá ou o Casamagna Marriott.

2) Hotel com sistema all inclusive
Sim, all inclusive é tudo incluído sim senhor. Se você ainda duvida que vai assinar alguma comanda e terá que pagá-la no ato do check-out, esqueça! Você pede uma bebida e eles te entregam. Você vai ao restaurante, come, ri, levanta e vai embora sem pedir a conta. All inclusive é o sinônimo de mordomia e extravagância gastronômica. Cabe ai falar que é o sistema que você deve escolher caso queira curtir a praia e descansar; talvez fazer 2 ou 3 passeios principais. Se você está num hotel com sistema all inclusive, você tem a obrigação moral de ser rei (ou rainha) em toda sua estadia.
Agora, vamos esclarecer 2 pontos: existem all inclusive parciais e totais.

a) All inclusive parcial
Sabe aquele hotel que você viu na tabela e é super barato? E você ainda questiona: "nossa, é all inclusive e está muito barato!", cuidado! Você não vai viajar 10, 12, 14h, fazer conexão e chegar num paraíso (porque sim, Cancun é caribe e você vai sentir o poder daquele mar azul em degradê), e comer uma comida insossa, tomar uma bebida nacional ou ruim, ter que pagar pelo frigobar ou room service e ter uma carta de drinks limitado. Hoteis com all inclusive parcial são assim, não se assuste. Se você escolher hoteis neste naipe, já vai sabendo que você será metade-rei. Sim, o hotel é all inclusive, você não vai pagar pela refeição, mas terá que pagar se quiser tomar uma água no seu quarto. Não terá que pagar por uma cerveja, mas terá que assinar a comanda de um drink mais sofisticado. Existem 5, 6 opções de restaurantes, mas todos tem uma comida bem sem graça e invariável. 
Seu dinheiro vale ouro, e suas férias (ou qualquer que seja o motivo da sua viagem) valem diamante. Pondere muito o quanto dinheiro a mais custa você fazer um upgrade para um hotel com all inclusive total. Se você não quer hospedar-se em hoteis com all inclusive parcial, evite a qualquer custo as redes OasisBe Live e o Hotel Park Royal
Gente, eu sei que é barato; vão por mim, não fiquem nesses hoteis. Todos os brasileiros que eu encontrei por Cancun, todos unanimemente disseram que odiaram estes hoteis, e outra, o Tripadvisor também não mente. Nós iríamos ficar nestes hoteis, mas depois de ler muita coisa, desistimos. O site é puro marketing, todos tem que vender, né?

b) All inclusive total
Vou resumir e você vai duvidar acreditar: 2 arrumações diárias no quarto, reposição do frigobar diariamente, bebidas nacionais e importadas liberada, refeições em buffet com comida variada ou refeição em restaurantes tipicamente de alta gastronomia, bebidas ilimitadas a beira da piscina ou na praia, funcionários sorrindo, quarto espaçoso... a vida que você pediu.
Sim, é assim. Acredite.
Quando fomos, no Reveillon de 2010/2011, pesquisamos muito, lemos muitas noticias, sites e opiniões e foi por isso que decidimos pagar US$300 a mais e escolher um hotel à altura do nosso desejo de grandes férias.
Existem diversos hoteis all inclusive total, têm para todos os bolsos. Desde a mordomia mais "tranquila" como o Hotel Iberostar até a alta-mordomia do 

Agora que você já leu sobre os tipos de hoteis, vai mais uma informação crucial para sua escolha: a localização.

Cancun, ou melhor, a zona hoteleira de Cancun fica numa península de quase 20 km. É nessa península que você faz tudo, a cidade, de fato, você dificilmente vai conhecer. Tenha em mente que as baladas concentram-se todas entre os km 9 e km 10. Se você fica em um hotel no km 17 ou km 20 é longe, e o taxi (tabelado ilegalmente para turistas) sai caro. As praias em toda penísula são boas, com exceção dos km 2 ao 5 que a praia é bem sem graça. As praias depois do km 15 ficam mais desertas e com águas mais fortes. A melhor indicação é ficar entre os km 10 e 13, pois estará perto das opções noturnas e na melhor localização de praia. 

O Tripadvisor é um site espetacular. Se ficar entre 2 ou 3 opções, vá até este site e veja os comentários dos hóspedes. Finalizamos a escolha do nosso hotel assim, e depois ao chegar, fomos surpreendidos positivamente, tivemos um serviço que nunca imaginamos.

Indicação Route 777: Gran Caribe Real

Este é um hotel que durante o check-out você fala: Um dia eu vou voltar, e vou ficar, de novo, aqui. 
Serviço impecável, restaurantes um melhor que o outro, all inclusive total (leia-se: TUDO incluído mesmo!! frigobar, room service, praia perfeita, bangalôs na areia, 8 bares, 8 restaurantes e 3 garrafas dentro do quarto de mimo. Funcionários treinados e muito educados; depois de algumas horas viram seus amigos e mesmo antes da sua bebida acabar ja perguntam qual é a próxima que você quer tomar. Quarto arrumado impecavelmente 2x por dia, feira de artesanato noturna diária e uma loja de conveniência de preços amigáveis (seríssimo mesmo!). Resumindo: se você quer uma sugestão, quer preocupar-se com nada durante sua estada, considere o Gran Caribe Real. Nós voltaremos um dia de tão bom o hotel é, de tão boas férias que foram.

Boa Viagem!